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Ministério Público aponta ilegalidades na aprovação das contas do Corinthians e volta a pedir intervenção judicial no clube

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Promotor Cássio Conserino questiona validade da reunião que aprovou balanço de 2025, cita gestão temerária e destaca déficit de R$ 143 milhões com dívida superior a R$ 2,7 bilhões

A crise política e administrativa do Corinthians ganhou mais um capítulo delicado. O Ministério Público de São Paulo voltou a solicitar à Justiça uma intervenção judicial no clube, desta vez sustentando que a aprovação das contas de 2025 da gestão de Osmar Stabile foi marcada por irregularidades, falhas graves de governança e possível nulidade no processo deliberativo.

Na petição apresentada, o promotor Cássio Conserino aponta uma série de inconsistências envolvendo o Conselho Fiscal, o Conselho de Orientação (CORI) e o Conselho Deliberativo, além de classificar a situação financeira alvinegra como um cenário de gestão temerária.

Participação contestada no Conselho Fiscal vira ponto central

Um dos principais argumentos do Ministério Público é a atuação de Haroldo Dantas na reunião do Conselho Fiscal que recomendou a aprovação, com ressalvas, das contas de 2025.

Advogado ligado a empresas do presidente Osmar Stabile, Dantas estava formalmente afastado da presidência do órgão por conflito de interesses. Mesmo assim, segundo o MP, ele participou da reunião realizada no Parque São Jorge e assinou a ata que serviu de base para a votação posterior.

Para Conserino, a presença de um dirigente impedido compromete a legalidade do parecer e coloca sob suspeita todo o processo que culminou na aprovação das contas.

MP vê falhas em cadeia na governança corintiana

Na análise do promotor, o problema não se restringe ao Conselho Fiscal. O CORI também é alvo de críticas por não ter identificado a suposta irregularidade, além de não detalhar adequadamente as ressalvas presentes no parecer nem sugerir medidas corretivas.

Já o Conselho Deliberativo é acusado de ignorar alertas internos e externos ao aprovar um balanço que apresentou déficit de R$ 143 milhões em 2025, somado a um endividamento que supera R$ 2,7 bilhões.

Conserino pede ainda que os conselheiros que participaram da votação também possam ser responsabilizados.

Promotor fala em “caos administrativo”

No documento enviado à Justiça, o promotor traça um diagnóstico severo da estrutura de controle do clube.

Segundo ele, há uma “ineficácia sistêmica e institucionalizada” dos órgãos internos, com violação direta de princípios de governança previstos na Lei Geral do Esporte.

A Promotoria também questiona a ausência de medidas concretas para enfrentar o déficit milionário e a dívida bilionária, classificando como insuficiente a aprovação das contas com simples ressalvas, sem plano efetivo para garantir a continuidade operacional da instituição.

Histórico de pressão judicial aumenta

O novo pedido se soma a uma investigação já aberta pelo Ministério Público desde dezembro do ano passado, quando foi instaurado inquérito civil para avaliar a necessidade de intervenção no Corinthians por suspeitas relacionadas ao uso indevido de cartões corporativos.

Agora, com a nova petição anexada ao processo, a análise judicial sobre a governança do clube ganha ainda mais peso.

Corinthians amplia turbulência fora de campo

Enquanto busca estabilidade esportiva, o Corinthians vê crescer a pressão institucional nos bastidores. A nova ofensiva do Ministério Público coloca a diretoria sob forte escrutínio e aprofunda um cenário de incerteza administrativa, com potenciais impactos políticos, financeiros e jurídicos sobre o futuro do clube.