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Não é só Memphis: Stabile acumula vetos a acordos avançados no Corinthians

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Presidente já barrou negociações conduzidas pelo departamento de futebol, incluindo Alisson, Kayky, Rony e a venda de André

A decisão de Osmar Stabile de não renovar o contrato de Memphis Depay é mais um episódio de negociações encaminhadas pelo departamento de futebol do Corinthians que acabaram interrompidas por decisão da presidência.

Depois de meses de tratativas, o atacante holandês chegou ao Brasil no último dia 4, realizou exames médicos e aguardou a resolução das últimas questões jurídicas para assinar um novo vínculo. Quando os obstáculos burocráticos já haviam sido superados, porém, Stabile passou três dias sem assinar o contrato e decidiu não dar aval à renovação, alegando a necessidade de preservar a responsabilidade financeira do clube.

O caso de Memphis se soma a outros negócios que chegaram a ser conduzidos ou considerados avançados pela equipe liderada pelo executivo de futebol Marcelo Paz, mas acabaram barrados pelo presidente.

Entre eles estão as contratações de Alisson, Kayky e Rony, além da negociação envolvendo a venda do volante André.

Embora Paz tenha autonomia para conduzir as tratativas, a palavra final pertence ao presidente. Na decisão, além dos aspectos financeiros, também entram em jogo pressões internas e a repercussão que cada negociação pode provocar entre torcedores e setores do clube.

Alisson chegou ao CT, mas negócio foi vetado

O caso de Alisson aconteceu quando Dorival Júnior ainda comandava o Corinthians. O meio-campista, então no São Paulo, chegou a ir ao CT Joaquim Grava porque o empréstimo até o fim da temporada estava praticamente acertado.

Restava apenas definir o pagamento pela transferência. O Corinthians teria cerca de R$ 1 milhão para viabilizar o negócio, mas Stabile reconsiderou a operação e decidiu barrar a contratação.

De acordo com dirigentes, outros termos do acordo também pesaram na decisão. A avaliação do departamento financeiro era de que não havia previsão orçamentária para concluir a operação.

A reviravolta provocou desconforto entre as partes. Marcelo Paz chegou a telefonar para Alisson para pedir desculpas, em nome do Corinthians, pelo recuo do clube.

Kayky foi vetado por causa do conflito com o Bahia

A negociação envolvendo Kayky também chegou a ser dada como certa. Marcelo Paz conduziu as conversas com os representantes do atacante e encaminhou um acordo de empréstimo.

Stabile, porém, decidiu interromper a operação.

O principal motivo teria sido o conflito entre Corinthians e Bahia. O presidente considerou incoerente negociar com o clube baiano enquanto o Corinthians o acusava de ter aliciado Kauê Furquim, jovem formado nas categorias de base alvinegras.

Em 2025, o Bahia havia pago a multa rescisória do jogador, então considerado uma das principais promessas do Corinthians, por cerca de R$ 14 milhões.

Com o episódio, mais uma negociação conduzida pelo departamento de futebol acabou desfeita após a intervenção presidencial.

Venda de André ao Milan também acabou barrada

A negociação de André com o Milan avançou ainda mais. Corinthians e clube italiano realizaram reuniões, acertaram valores, trocaram e-mails e chegaram a discutir minutas contratuais.

O estafe do volante de 19 anos já considerava o acordo praticamente fechado. Faltava apenas a assinatura de Stabile.

O presidente, entretanto, vetou a transferência. O Milan oferecia 17 milhões de euros, aproximadamente R$ 103 milhões na cotação considerada na época, por 70% dos direitos econômicos do jogador pertencentes ao Corinthians.

O recuo aconteceu um dia depois de a negociação vir a público e de Dorival Júnior fazer críticas contundentes à possibilidade de venda.

A repercussão entre os torcedores também foi negativa. Parte da torcida considerou o valor insuficiente diante do potencial de André, uma das principais revelações das categorias de base do clube.

Meses depois, em entrevista ao ge, Stabile afirmou que não se arrependia de ter barrado a negociação, embora tenha reconhecido que o Corinthians precisava vender jogadores para equilibrar as contas.

Rony teve rejeição da torcida como fator decisivo

A contratação de Rony, atualmente no Santos e que na época defendia o Atlético-MG, também acabou não avançando.

Quando a negociação se tornou pública, o Corinthians procurou diminuir a expectativa e classificou o atacante como um jogador monitorado, sem confirmar que a operação estivesse em estágio avançado.

Em entrevista ao jornalista Benjamin Back, Marcelo Paz admitiu, porém, que as questões financeiras não foram o único fator considerado pelo clube.

A rejeição de parte da torcida ao nome de Rony também pesou para que o Corinthians não desse sequência às conversas.

O histórico reforça uma característica da atual gestão: embora o departamento de futebol seja responsável por conduzir as negociações e buscar acordos, a palavra final permanece concentrada na presidência.

No caso de Memphis, entretanto, o veto ganhou uma dimensão ainda maior. O jogador já havia retornado ao Brasil, passado por exames médicos e aguardava apenas a conclusão dos últimos trâmites para renovar o contrato. Agora, além de perder o atacante, o Corinthians terá de administrar a insatisfação pública do holandês e as consequências financeiras e jurídicas do rompimento das negociações.