Cruz-maltino conseguiu na Justiça o direito de disputar a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no estádio; faixas e panfletos ironizaram a gestão do Maracanã pela dupla rival
A volta do Vasco ao Maracanã foi marcada por provocações a Flamengo e Fluminense nesta terça-feira. Antes da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, torcedores cruz-maltinos aproveitaram a chegada ao estádio para alfinetar os rivais, em meio à disputa judicial que garantiu ao clube o direito de utilizar o principal palco do futebol carioca.
Nos arredores do estádio, alguns vascaínos exibiram faixas com a frase “São Januário é meu, o Maraca é nosso”. Também foram distribuídos panfletos com a inscrição “Síndico não é dono”, em referência à participação de Flamengo e Fluminense na administração do Maracanã.
Disputa judicial se estendeu por quase um mês
O impasse entre Vasco e Consórcio Fla-Flu, responsável pela concessão do estádio, durou quase um mês. Na quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão favorável ao clube cruz-maltino, permitindo a realização da partida no Maracanã.
A definição encerrou uma sequência de disputas nos tribunais e garantiu ao Vasco a possibilidade de jogar a semifinal continental em um estádio com capacidade compatível com as exigências da Conmebol.
Por que o Vasco não poderia jogar em São Januário?
O regulamento da Conmebol estabelece que partidas das semifinais de competições continentais sejam realizadas em estádios com capacidade mínima de 30 mil espectadores. Como São Januário não atende a essa exigência, o Maracanã surgiu como a principal alternativa para receber o confronto contra o Boca Juniors.
Flamengo e Fluminense, responsáveis pela administração do estádio, resistiram à liberação. Entre os argumentos apresentados pela dupla estava a condição do gramado, que, segundo os clubes, não suportaria a sequência de partidas.
A preocupação também envolvia o calendário. Dois dias depois do confronto entre Vasco e Boca Juniors, o Flamengo teria compromisso pela Libertadores, aumentando a pressão sobre o campo.

Decisões e recursos marcaram o impasse
A disputa judicial teve reviravoltas ao longo de outubro. Depois de decisões inicialmente favoráveis ao Consórcio Fla-Flu no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o Vasco obteve uma decisão favorável em 9 de outubro, por determinação do desembargador Marco Antônio Ibrahim.
No dia seguinte, porém, a medida foi suspensa por uma liminar da desembargadora Suely Lopes Magalhães, vice-presidente do TJ-RJ. Em 13 de outubro, o Vasco voltou a conseguir uma decisão favorável, desta vez por determinação do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto.
Diante do novo resultado, Flamengo e Fluminense recorreram ao STJ. O recurso, contudo, não teve o mérito analisado. O ministro Luis Felipe Salomão entendeu que não havia legitimidade jurídica para a corte examinar o caso, por não identificar interesse público primário ou serviço público em disputa.
Conmebol considerava o Maracanã adequado
O Vasco também contou com um parecer favorável da Conmebol quanto à utilização do Maracanã. A entidade considerava o estádio adequado para receber a semifinal, embora não tenha determinado diretamente o local durante a disputa judicial.
A confederação poderia interferir na definição do palco caso houvesse uma nova negativa da Justiça, mas isso não foi necessário após a decisão que assegurou ao clube carioca o direito de mandar a partida no estádio.
Com a questão resolvida nos tribunais, o reencontro do Vasco com o Maracanã ganhou um ingrediente extra: além da importância esportiva da semifinal contra o Boca Juniors, a torcida cruz-maltina transformou a chegada ao estádio em uma manifestação contra os rivais e a gestão compartilhada do principal palco do futebol do Rio de Janeiro.


