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Em carta, Ronaldo pede que eleição da CBF seja marcada com antecedência de 30 dias

Em carta, Ronaldo pede que eleição da CBF seja marcada com antecedência de 30 dias

Pré-candidato à presidência da CBF, ex-jogador também solicita que eleição tenha supervisão presencial da Fifa e da Conmebol, “para dar mais transparência” ao pleito

Rio de Janeiro - O ex-jogador Ronaldo enviou nesta segunda-feira carta para CBF, Fifa, Conmebol e presidentes de clubes das Séries A e B com pedidos para a próxima eleição na entidade que comanda o futebol brasileiro.

Pré-candidato à presidência da CBF, Ronaldo solicita que a data do pleito seja definida com antecedência mínima de um mês, “a fim de assegurar a organização e participação dos interessados”. Além disso, o ex-jogador pede supervisão da Fifa e da Conmebol, “para dar mais transparência e segurança jurídica ao processo eleitoral”.

Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal homologou acordo entre a CBF, cinco dirigentes e a Federação Mineira de Futebol (FMF), legitimando a eleição realizada em 2022 que elegeu Ednaldo Rodrigues. A medida assegura a permanência de Ednaldo até o fim do mandato em março de 2026.

Com isso, o atual presidente da CBF pode convocar o próximo pleito a partir de 23 de março deste ano. Na carta, Ronaldo cobra transparência do processo eleitoral e diz que “o modelo dificulta (quiçá, impede) o surgimento de candidaturas alternativas”. Veja a carta completa no fim desta reportagem.

Procurada pelo ge, a CBF não se manifestou sobre o conteúdo da carta de Ronaldo até a publicação desta reportagem. Se houver posicionamento, o texto será atualizado.

Hoje empresário e ex-dono da SAF do Cruzeiro, Ronaldo anunciou em dezembro que é pré-candidato à presidência da CBF. Ele precisa de apoio de pelo menos quatro federações e quatro clubes para formar chapa e viabilizar candidatura.

A última eleição com dois candidatos na CBF foi realizada em 1989, quando Ricardo Teixeira, com apoio de João Havelange, derrotou Nabi Abi Chedid, candidato do então presidente Giulite Coutinho.

O colégio eleitoral é formado pelas 26 federações estaduais e a do Distrito Federal, que têm voto com peso três, pelos 20 clubes das Série A (peso dois) e pelos 20 clubes da Série B (peso 1).

Confira a carta de Ronaldo:

“Prezados Senhores,

Conforme comuniquei publicamente, pretendo me candidatar à presidência da CBF no próximo pleito. Preocupa-me, no entanto, a falta de transparência e segurança jurídica no processo eleitoral, que pode comprometer a imparcialidade e a legitimidade das eleições.

É notório que, com o estatuto vigente, o presidente em exercício tem controle absoluto de todo o processo - o que, por si só, nos distancia das condições de concorrência leal e isonômica. Além de não contribuir para a integridade do pleito, o modelo dificulta (quiçá, impede) o surgimento de candidaturas alternativas.

Ademais, a crise dos últimos anos no comando da CBF, marcada por uma série de interferências externas e disputas judiciais incompatíveis com a autonomia e grandeza da entidade, maculou sua reputação a nível mundial e colocou em risco a sua independência.

Se existe um fato incontestável nesses anos de imbróglio - que, inclusive, antecede a atual gestão - é que essa sucessão de acontecimentos gerou um sentimento coletivo de insegurança jurídica e afetou negativamente a credibilidade da confederação.

Faltam menos de 16 meses para a próxima Copa do Mundo - chegaremos a 2026 com um jejum de 24 anos sem o título - e tudo que o futebol brasileiro não precisa agora é passar por um processo eleitoral de legitimidade duvidosa. O que precisamos é de tempo para dar voz e espaço aos clubes que, unidos, são ainda mais fortes; para escutar as federações em prol de melhorias nas competições e desenvolvimento do esporte em seus estados; para que a força da visão compartilhada, no alinhamento estratégico, nos conduza à mudança.

À luz dessas preocupações, solicito que a data para as próximas eleições - cujo prazo estatutário é de um ano a partir de 23 de março de 2025 - seja definida com antecedência mínima de um mês, a fim de assegurar a organização e participação dos interessados.

Solicito ainda que o pleito seja supervisionado presencialmente pela FIFA e pela CONMEBOL, para dar mais transparência e segurança jurídica ao processo eleitoral, bem como alinhamento aos princípios internacionais de governança no futebol. Está nas mãos do colégio eleitoral a oportunidade e a responsabilidade de atender à urgência de um choque de gestão na CBF, que comece por restaurar a confiança na instituição e seja sustentável no longo prazo. Reitero minha completa disposição colaborativa para a reconstrução da credibilidade e proteção do futuro da entidade. O futebol brasileiro é patrimônio público - cabe a nós defendê-lo.”

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