Vini Jr., Endrick e Estêvão enfrentaram dificuldades sob o comando do espanhol, enquanto João Pedro vive cenário oposto no Chelsea
Vini Jr., Endrick e, mais recentemente, Estêvão. A dificuldade de alguns dos principais brasileiros do futebol europeu para conquistar espaço com Xabi Alonso voltou a chamar atenção após o atacante do Chelsea ser acionado apenas nos minutos finais da derrota por 2 a 1 para o Arsenal.
A sequência de episódios levanta uma questão inevitável: existe algum problema do treinador espanhol com jogadores brasileiros? Os números e os casos recentes alimentam o debate, mas também mostram que não há um padrão absoluto. No próprio Chelsea, João Pedro ganhou protagonismo sob o comando de Xabi.
Em fevereiro de 2025, quando ainda dirigia o Bayer Leverkusen, Xabi foi questionado pelo ge sobre seus brasileiros favoritos entre os jogadores que haviam defendido o clube alemão. O treinador citou Jorginho e Zé Roberto, mas fez questão de destacar sua admiração pelos atletas do país.
“É realmente difícil, eles vieram do Brasil e jogaram muito bem nesse clube. Eu disse Jorginho, mas também poderia escolher Zé Roberto. Eu realmente gosto da maioria dos brasileiros que jogaram aqui”, afirmou na ocasião.
Vini Jr. perdeu espaço e Endrick buscou empréstimo
No Real Madrid, porém, a relação de Xabi com os brasileiros ganhou outros contornos.
Vini Jr., principal estrela brasileira do elenco, deixou de ser considerado intocável pelo treinador. O espanhol passou a substituí-lo com frequência, situação que chegou a provocar irritação do atacante em campo. Em um clássico contra o Barcelona, por exemplo, o brasileiro demonstrou publicamente sua insatisfação ao ser substituído.
Rodrygo também teve participação irregular durante o período em que trabalhou com Xabi. Em seis meses sob o comando do treinador, o atacante disputou 24 partidas, mas começou apenas 14 delas, marcando três gols.
O caso de Endrick foi ainda mais emblemático. Com poucas oportunidades no Real Madrid, o jovem brasileiro pediu para ser emprestado ao Lyon no fim de 2025. Na França, ganhou protagonismo, acumulou gols e assistências e voltou a recuperar espaço na Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo.
Xabi, no entanto, acabou deixando o Real Madrid no início de 2026, após uma campanha considerada ruim, e posteriormente assumiu o comando do Chelsea.
Estêvão vive início diferente do esperado
No clube inglês, a situação de Estêvão começa a chamar atenção. O atacante brasileiro havia se destacado em sua primeira temporada pelo Chelsea, mas iniciou a nova campanha como opção no banco de reservas.
No clássico deste domingo contra o Arsenal, pela terceira rodada do Campeonato Inglês, Estêvão permaneceu entre os suplentes. Mesmo com atuações pouco inspiradas de nomes como Pedro Neto, Cole Palmer e João Pedro, o brasileiro só entrou aos 35 minutos do segundo tempo.
Apesar do pouco tempo em campo, Estêvão ainda teve participação importante na tentativa de reação do Chelsea. Aos 43 minutos, recebeu espaço e finalizou cruzado, obrigando o goleiro David Raya a fazer uma grande defesa e evitando o empate.
O episódio reacendeu o questionamento sobre o espaço dos brasileiros nos times comandados por Xabi Alonso, mas o próprio Chelsea apresenta um contraponto.
João Pedro vive situação completamente diferente. O atacante se tornou titular absoluto com o treinador espanhol e ainda recebeu a camisa 9 nesta temporada. Na campanha anterior, quando vestia a 20, o brasileiro terminou com 20 gols em 50 partidas.
Assim, embora os casos de Vini Jr., Endrick e Estêvão chamem atenção, o histórico recente não permite afirmar que Xabi Alonso tenha qualquer resistência específica aos brasileiros. O que os episódios mostram, até aqui, é um treinador disposto a tomar decisões rígidas sobre nomes importantes — independentemente da nacionalidade.


