Eliminação em casa expõe limitações ofensivas do Timão, que acumula fracassos recentes e encerra a campanha de forma melancólica
A eliminação do Corinthians na Conmebol Libertadores deve permanecer por bastante tempo na memória do torcedor. A derrota por 1 a 0 para o Estudiantes, diante de mais de 47 mil pessoas na Neo Química Arena, terminou com um roteiro doloroso: Memphis Depay teve nos pés a chance de levar a decisão para os pênaltis, mas isolou a cobrança nos acréscimos.
O desfecho acrescenta mais um capítulo à extensa lista de eliminações marcantes do Corinthians na principal competição sul-americana. Campeão em 2012, o clube já havia vivido quedas traumáticas diante de Palmeiras, River Plate, Guaraní-PAR e Tolima-COL em diferentes edições do torneio.
Desta vez, porém, o problema não esteve apenas no peso da história. O desempenho apresentado pelo time diante do Estudiantes também ajuda a explicar a eliminação.
Um Corinthians sem criatividade
Mesmo com os principais jogadores descansados para o confronto decisivo, o Corinthians teve enorme dificuldade para construir jogadas ofensivas. A equipe apresentou pouca criatividade, encontrou poucos espaços e praticamente não conseguiu ameaçar o gol defendido por Muslera.
A situação fica ainda mais evidente quando se observa o roteiro dos 90 minutos. O Timão precisava transformar o apoio da torcida em pressão dentro de campo, mas não conseguiu sustentar um volume ofensivo capaz de empurrar o Estudiantes para trás.
A oportunidade que poderia ter mudado a história surgiu apenas no último lance. Depois da revisão do VAR, o Corinthians ganhou um pênalti por toque no braço de Pírez. Memphis Depay assumiu a responsabilidade, mas mandou a bola por cima do gol.
O lance não apaga, entretanto, a atuação abaixo do esperado durante praticamente toda a partida.
Um problema que vai além da Libertadores
A eliminação também expõe um problema que o Corinthians vem carregando nas últimas semanas: o funcionamento do setor ofensivo.
Desde o retorno da Copa do Mundo, o sistema formado por Kaio César, Rodrigo Garro e Memphis Depay não tem apresentado o rendimento esperado. As peças não conseguiram estabelecer uma conexão constante, e o time passou a encontrar dificuldades para criar e finalizar.
Os resultados recentes refletem esse cenário. O Corinthians acumula cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, foi eliminado em casa na Copa do Brasil e agora deixa a Libertadores nas quartas de final.
O elenco reúne jogadores de peso e investimento significativo, mas a capacidade de transformar esse potencial individual em produção coletiva tem sido um dos principais desafios da equipe.
Memphis entre a esperança e a frustração
Memphis Depay acabou simbolizando a noite corintiana. O holandês chegou ao último lance com a possibilidade de se transformar novamente no protagonista de uma classificação, mas terminou a partida com a frustração de uma cobrança desperdiçada.
A torcida, que durante boa parte da noite alimentou a esperança de uma reação, deixou a Neo Química Arena com mais uma eliminação para guardar na memória.
Agora, resta ao Corinthians tentar recuperar a confiança no Campeonato Brasileiro e reorganizar a equipe para a próxima temporada. A Libertadores acabou, e o clube terá de encontrar respostas para transformar um elenco de nomes importantes em um time capaz de competir novamente por grandes objetivos.


