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Wenger nega participação em plano de Infantino e defende Fifa “independente”

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Chefe de desenvolvimento global da entidade afirma que soube da proposta pela imprensa e diz que a retirada do projeto era “absolutamente necessária”

Arsène Wenger rompeu o silêncio nesta terça-feira para esclarecer sua posição sobre a crise que abalou a Fifa nos últimos dias. Chefe de desenvolvimento global do futebol na entidade, o ex-treinador do Arsenal afirmou que não participou da elaboração do plano defendido pelo presidente Gianni Infantino para criar uma subsidiária voltada à gestão dos principais ativos comerciais da instituição.

Em comunicado oficial, Wenger disse ter tomado conhecimento da proposta por meio da imprensa e classificou como “absolutamente necessária” a decisão da Fifa de abandonar o projeto após a forte reação das confederações e dirigentes do futebol mundial.

“Os acontecimentos recentes na Fifa exigem alguns esclarecimentos da minha parte. Não participei deste plano estratégico e tomei conhecimento do projeto inicialmente por meio de notícias na imprensa. A decisão de retirar o projeto foi absolutamente necessária e indiscutível, pois acredito firmemente em uma Fifa independente, que sirva ao nosso esporte com compromisso, transparência e integridade”, declarou.

Ex-técnico foi alvo de críticas

A manifestação pública ocorreu depois de Wenger ser cobrado por dirigentes e torcedores por não se posicionar durante a repercussão da proposta apresentada por Infantino.

O projeto previa a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa subsidiária que administraria os direitos comerciais das principais competições organizadas pela entidade, incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes.

A iniciativa permitiria a entrada de investidores privados como acionistas minoritários, enquanto a Fifa manteria o controle majoritário da companhia. A expectativa era arrecadar cerca de US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,5 bilhões).

No entanto, a proposta enfrentou forte resistência, especialmente da Uefa, que ameaçou boicotar futuras competições da Fifa caso o projeto fosse mantido. Diante da pressão, Infantino desistiu oficialmente da iniciativa poucos dias após anunciá-la.

Wenger explica sua função na Fifa

No comunicado, o francês também fez questão de esclarecer que sua atuação dentro da entidade está restrita ao desenvolvimento técnico do futebol, sem participação em decisões administrativas ou financeiras.

Desde que assumiu o cargo, em 2019, Wenger lidera projetos ligados à formação de atletas, desenvolvimento das categorias de base, análise de desempenho e inovação técnica.

“Na Fifa, ocupo o cargo de chefe de desenvolvimento global do futebol. Juntamente com a minha equipe, supervisiono a análise de dados do jogo, o centro de treinamento online da Fifa, o desenvolvimento da formação de jovens por meio de 60 academias em 60 países, além das competições de base ao redor do mundo. Também atuo como consultor técnico da IFAB”, explicou.

Legado histórico no Arsenal

Antes de ingressar na Fifa, Arsène Wenger construiu uma das carreiras mais vitoriosas do futebol europeu. O treinador comandou Nancy, Monaco e Nagoya Grampus antes de marcar época no Arsenal.

À frente do clube londrino durante 22 anos, dirigiu a equipe em 1.231 partidas e conquistou 17 títulos, entre eles três edições da Premier League. Até hoje, segue como o técnico que permaneceu por mais tempo no comando dos Gunners e o treinador mais vitorioso da história da instituição.

Sua manifestação pública ocorre em um momento de forte turbulência política na Fifa, com Gianni Infantino enfrentando a maior pressão desde que assumiu a presidência da entidade.