Com contrato até 2027, treinador português supera marcas históricas, acumula títulos e contrasta com alta rotatividade de rivais no país
Quando chegou ao Palmeiras, em novembro de 2020, Abel Ferreira imaginava uma passagem curta. Em tom descontraído, chegou a dizer à esposa que dificilmente resistiria mais do que três meses no futebol brasileiro. Mais de cinco anos depois, a previsão virou símbolo de longevidade: o técnico completou 2.000 dias no comando alviverde, consolidando um dos trabalhos mais duradouros da história do país.
A marca o coloca como o treinador há mais tempo à frente de um clube desde a adoção dos pontos corridos no Campeonato Brasileiro, em 2003 — um feito ainda mais relevante em um cenário marcado pela impaciência e constantes trocas no banco de reservas.
Entre os mais longevos da história
Na história do futebol brasileiro, apenas quatro técnicos superam o tempo atual de Abel em um mesmo clube: Flávio Costa (Flamengo), Henry Welfare (Vasco), Lula (Santos) e Amadeu Teixeira (América-AM). O português, portanto, já ocupa um lugar de destaque em uma lista restrita.
A estabilidade no Palmeiras se reflete diretamente nos resultados. Abel é hoje o técnico mais vitorioso da história do clube, superando nomes emblemáticos como Oswaldo Brandão.
Títulos, números e domínio
Desde que assumiu o Verdão, Abel Ferreira acumulou 11 títulos: quatro Campeonatos Paulistas, duas Libertadores, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa Sul-Americana e uma Supercopa.
Os números reforçam a dimensão do trabalho:
- 423 jogos no comando
- 249 vitórias, 97 empates e 77 derrotas
- 717 gols marcados e 341 sofridos
- Recordista de jogos (64) e vitórias (42) na Libertadores
- Maior número de vitórias no Brasileirão (109) pelo clube
- Técnico com mais finais disputadas: 13
Estabilidade que contrasta com rivais
O cenário vivido por Abel contrasta com a realidade de seus concorrentes diretos. No mesmo período, o Flamengo conquistou mais títulos (12), mas com dez treinadores diferentes. Já Corinthians, São Paulo e Santos também enfrentaram alta rotatividade, com 11, oito e 15 técnicos, respectivamente.
A diferença, segundo o próprio treinador, está na política de continuidade adotada pelo Palmeiras — evidenciada, inclusive, nos momentos de pressão. Após uma eliminação marcante, Abel revelou ter recebido apoio imediato da diretoria, com proposta de renovação contratual.
Retomada após jejum e novo fôlego em 2026
Depois de um período sem títulos — o maior desde sua chegada —, Abel voltou a levantar uma taça no início de 2026, com a conquista do Campeonato Paulista. A temporada atual também mostra um Palmeiras competitivo: liderança no Brasileirão, bom desempenho na Libertadores e início sólido na Copa do Brasil.
Até aqui, são 27 partidas no ano, com 20 vitórias, quatro empates e apenas três derrotas.
Desfalque à beira do campo
Apesar da boa fase, Abel não estará à beira do gramado neste domingo. Punido pelo STJD, o treinador cumpre suspensão e desfalca o Palmeiras no duelo contra o Bragantino, pela 13ª rodada do Brasileirão.
Mesmo fora da área técnica, sua presença segue determinante — reflexo de uma era que já entrou para a história do clube e do futebol brasileiro.


