Diretoria comandada por Osmar Stabile não quitou o pagamento referente a setembro; clube também deve premiações e registra déficit de R$ 278,7 milhões nos sete primeiros meses do ano
O Corinthians chegou a três meses consecutivos de atraso no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores do elenco masculino de futebol. O compromisso referente a setembro, que deveria ter sido quitado nesta terça-feira, não foi pago, ampliando o desgaste financeiro do clube em meio às dificuldades para equilibrar as contas.
Sob a gestão do presidente Osmar Stabile, o Timão deixou de cumprir, pelo terceiro mês consecutivo, o pagamento dessa parcela da remuneração dos atletas. De acordo com estimativas da Diretoria Financeira, os direitos de imagem representam uma despesa mensal de aproximadamente R$ 10 milhões.
Nos bastidores, a diretoria afirma que trabalha para regularizar as pendências o mais rápido possível. Até o momento, porém, não foi estabelecido um prazo para quitar os valores em aberto.
Direitos de imagem e premiações seguem pendentes
Os atrasos nos pagamentos ao elenco masculino começaram em maio de 2026 e se tornaram recorrentes desde então. Embora os salários registrados em carteira de trabalho tenham sofrido atrasos pontuais, inclusive de aproximadamente uma semana em determinada ocasião, essa parte da remuneração está atualmente em dia.
A situação dos direitos de imagem, por outro lado, continua preocupante. Além das três parcelas mensais pendentes, o Corinthians também acumula dívidas relacionadas a premiações da Copa Libertadores e do Campeonato Brasileiro.
O impacto varia de acordo com a estrutura contratual de cada jogador. Atletas com remunerações menores podem receber exclusivamente por meio do salário formal, enquanto os mais bem pagos têm parte significativa dos rendimentos vinculada aos direitos de imagem, que podem representar até 50% da remuneração total.
Dessa forma, a falta de pagamento atinge de maneira diferente os integrantes do elenco, mas amplia a preocupação com a capacidade financeira do clube de honrar seus compromissos.
Déficit milionário agrava situação financeira
A crise vai além das pendências com os jogadores. O Corinthians acumulou um déficit de R$ 278,705 milhões nos sete primeiros meses de 2026, resultado 258% superior ao prejuízo de R$ 77,862 milhões previsto no orçamento para o mesmo período.
Os números evidenciam a distância entre o planejamento financeiro e a realidade das contas alvinegras. A necessidade de reorganizar as finanças também limita a capacidade da diretoria de investir no futebol e manter os compromissos assumidos.
Transfer bans impedem novas contratações
Outro fator que pressiona o planejamento esportivo é a proibição de registrar novos jogadores. Desde 21 de maio, o Corinthians está submetido a restrições decorrentes de três transfer bans em vigor, relacionados a dívidas que somam aproximadamente R$ 21,5 milhões.
A impossibilidade de contratar reforços representa mais um obstáculo para a montagem do elenco e aumenta a pressão sobre a administração de Osmar Stabile.
Com pagamentos pendentes, déficit acima do previsto e restrições no mercado de transferências, o Corinthians enfrenta o desafio de recuperar o equilíbrio financeiro sem comprometer ainda mais o desempenho esportivo. A regularização das dívidas com o elenco e a solução dos bloqueios para contratar estão entre os pontos centrais para reduzir a instabilidade no clube.


