Armando Mendonça, afastado do cargo desde o início do mês, responderá a processo por crimes apontados pelo Ministério Público de São Paulo e terá dez dias para apresentar defesa após intimação
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público e tornou réu o vice-presidente do Corinthians, Armando Mendonça, no caso que investiga supostas irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube.
A decisão foi assinada pela juíza Amanda Eiko Sato, da 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, que entendeu haver indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal.
Armando é acusado de apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita agravada continuada, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo.
Afastado voluntariamente do cargo desde o último dia 8, o dirigente terá prazo de dez dias para apresentar sua defesa após ser formalmente intimado. Testemunhas ligadas à investigação também deverão ser ouvidas durante o andamento do processo.
Justiça rejeita medidas cautelares
Embora tenha aceitado a denúncia, a magistrada negou os pedidos de medidas cautelares formulados pelo Ministério Público.
Entre as solicitações rejeitadas estavam a suspensão temporária de Armando Mendonça do quadro de associados do Corinthians e a proibição de frequentar as dependências do clube.
Na decisão, a juíza destacou que o afastamento voluntário do dirigente por 30 dias reduz a necessidade das restrições pretendidas. Ela também considerou que não há elementos que indiquem influência sobre testemunhas ou colaboradores da investigação.
O mesmo entendimento foi aplicado ao pedido para restringir contatos entre Armando Mendonça e integrantes da diretoria corintiana.
O promotor Cássio Roberto Conserino, responsável pela denúncia, deverá recorrer da decisão que negou as medidas cautelares.
Procurado para comentar o caso, o dirigente não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Auditoria interna deu origem à investigação
O caso teve origem em uma auditoria interna conduzida pelo departamento de tecnologia do Corinthians, por determinação do presidente Osmar Stabile. O relatório apontou uma série de inconformidades relacionadas ao controle e à distribuição dos materiais esportivos fornecidos pela Nike.
Segundo a investigação, Armando Mendonça teria se apropriado de 131 itens de material esportivo, tentado obter 19 camisas especiais com patch da NFL, além de ter subtraído oito unidades dessa edição comemorativa. O Ministério Público também sustenta que o dirigente teria ameaçado duas testemunhas durante o curso das apurações.
O vice-presidente nega qualquer irregularidade. Em sua defesa, afirmou que os problemas de controle dos materiais ocorreram durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo e que a atual administração promoveu correções nos processos internos. Armando também contesta as conclusões do relatório, alegando falhas na auditoria.


