Suposta agressão em treino, com tapa, rasteira e xingamentos, gera sindicância interna, ameaça contrato e pode levar caso à esfera criminal
O Santos vive mais um episódio turbulento fora das quatro linhas. A confusão envolvendo Neymar e o jovem atacante Robinho Jr., de apenas 18 anos, durante um treinamento realizado no último domingo (3), ganhou proporções que extrapolam o ambiente esportivo e já provoca forte repercussão jurídica e institucional.
Segundo relatos, o camisa 10 santista teria reagido de forma agressiva após ser driblado pelo jovem atleta — a quem também é ligado por relação de apadrinhamento — com uma rasteira, um tapa no rosto e ofensas verbais. O episódio desencadeou tensão nos bastidores, levou o clube a abrir uma sindicância interna e pode até impactar o vínculo contratual do atacante.
Possível enquadramento criminal
Especialistas apontam que, caso confirmadas as agressões físicas sem lesões aparentes, a conduta pode ser enquadrada como “vias de fato”, prevista no artigo 21 da Lei das Contravenções Penais. A infração envolve atos como tapas, empurrões ou rasteiras sem marcas corporais graves, com pena de 15 dias a 3 meses de prisão simples ou multa — geralmente convertida em sanções alternativas, como prestação de serviços comunitários.
A criminalista Maria Tereza Novaes destaca que o caso pode ser formalizado por meio de boletim de ocorrência ou notícia-crime apresentada ao Ministério Público, especialmente devido à repercussão pública do episódio.
Xingamentos podem configurar injúria
Além da agressão física, os supostos xingamentos direcionados por Neymar a Robinho Jr. também podem abrir nova frente jurídica. Nesse cenário, a conduta pode ser tratada como injúria, crime contra a honra cuja pena pode chegar a seis meses de detenção ou multa.
Diferentemente das vias de fato, a injúria depende de ação privada, ou seja, cabe à vítima — por meio de representação jurídica — dar início ao processo.
Santos acompanha crise e avalia punições
Internamente, o Santos monitora o caso com preocupação. A sindicância aberta deve analisar imagens do treino e ouvir envolvidos para definir eventuais punições administrativas, que podem variar entre multa, desconto salarial e outras medidas disciplinares contra Neymar.
Enquanto isso, a defesa de Robinho Jr. aguarda acesso ao material para decidir os próximos passos, inclusive sobre possíveis reflexos no contrato do atleta, válido até março de 2031.
Mais pressão sobre Neymar e o clube
Em meio a um cenário já sensível, o caso adiciona nova camada de desgaste à imagem de Neymar e amplia a pressão sobre o Santos, que agora precisa administrar não apenas o impacto esportivo, mas também os danos institucionais provocados por mais uma polêmica envolvendo sua principal estrela.


