Diretor de futebol é criticado por elenco e funcionários após postura na demissão do treinador; ambiente no clube fica tenso e dirigente passa a ser questionado internamente
A forma como o diretor de futebol José Boto conduziu a saída de Filipe Luís ampliou o desgaste interno no Clube de Regatas do Flamengo. O dirigente, já alvo de críticas nos bastidores, viu sua rejeição crescer entre jogadores e funcionários do Ninho do Urubu após a mudança no comando técnico.
A decisão pela demissão partiu da presidência de Bap, mas a execução ficou sob responsabilidade de Boto, o que intensificou o desconforto no ambiente rubro-negro.
Conversa rápida no vestiário e clima de desconforto
O comunicado da demissão foi feito em uma conversa breve, de menos de um minuto, no vestiário do Maracanã, logo após a entrevista coletiva de Filipe Luís. Na ocasião, Boto afirmou que se tratava de uma decisão da presidência, da qual discordava.
Entretanto, a informação de que o dirigente já estaria envolvido em tratativas com o nome de Leonardo Jardim antes da demissão aumentou a desconfiança interna sobre sua postura no processo.
Discurso no treino gera reação negativa do elenco
O clima piorou ainda mais após um discurso de cerca de dois minutos feito por Boto no treino de terça-feira. Na reunião com o elenco, o dirigente atribuiu parte da responsabilidade pela saída do treinador aos jogadores, afirmando que alguns priorizam interesses contratuais em detrimento do desempenho em campo.
A fala foi mal recebida pelo grupo, que deixou a conversa em silêncio e sem resposta ao diretor.
Relação distante e críticas no dia a dia
A relação entre Boto e o elenco já era considerada fria desde sua chegada. O dirigente evita contato frequente com os jogadores, postura que vem sendo criticada internamente, especialmente em momentos de crise.
Situações anteriores, como a derrota na Supercopa para o Sport Club Corinthians Paulista, já haviam evidenciado o distanciamento, com sua ausência em momentos pós-jogo sendo notada no ambiente do clube.
Pressão cresce também fora de campo
Além do desgaste com o elenco, Boto também enfrenta resistência entre funcionários do clube e já foi alvo de protestos de torcedores no Ninho do Urubu. Apesar disso, ainda mantém respaldo do presidente Bap, que segue ouvindo suas decisões no departamento de futebol.
Internamente, porém, o dirigente não é unanimidade e é criticado pela forma de comunicação e pela condução das decisões no futebol profissional.
Reformulação contestada e promessas sob questionamento
Contratado em janeiro de 2025 com a missão de reformular o departamento de futebol, Boto chegou com a reputação de especialista em scouting e promessa de modernização da estrutura rubro-negra. No entanto, a percepção interna é de que as mudanças não se refletiram como esperado no dia a dia.
Entre críticas recorrentes estão a dependência de decisões compartilhadas com o técnico, contratações consideradas inconsistentes e a dificuldade em suprir carências do elenco, especialmente a ausência de um centroavante de referência.
Legado recente e desgaste acumulado
Apesar das críticas, o primeiro ano de trabalho do dirigente coincidiu com uma temporada de conquistas expressivas do Flamengo, incluindo títulos nacionais e continentais. Ainda assim, o prestígio inicial se dissipou com o passar dos meses.
O desgaste atual é considerado o mais intenso desde episódios de tensão ocorridos no ano anterior, quando já havia ruídos públicos envolvendo o dirigente e jogadores do elenco, evidenciando que a crise no Ninho do Urubu vai além do momento e se tornou estrutural.


