Após perder o segundo título no ano, equipe de Filipe Luís enfrenta desgaste interno, falhas de planejamento e queda de desempenho dentro de campo
Depois de viver a temporada mais vitoriosa de sua história em 2025, o Flamengo iniciou 2026 em cenário oposto. Em apenas dois meses, o clube acumulou decepções, perdeu o segundo título no ano e mergulhou em uma crise incomum sob o comando de Filipe Luís. Entre decisões equivocadas, problemas físicos e falhas técnicas, o Rubro-Negro tenta reorganizar a casa para evitar que o início turbulento comprometa toda a temporada.
O primeiro sinal de desgaste surgiu ainda nos bastidores. A longa e desgastante negociação pela renovação de Filipe Luís expôs divergências, sobretudo financeiras. O acordo só foi fechado no fim de dezembro, após concessões de ambos os lados, deixando marcas em um ambiente que já iniciava o ano pressionado.
No mercado, declarações públicas sobre o alto poder de investimento inflamaram os preços e aumentaram a expectativa por reforços de impacto. Internamente, a avaliação é de que a estratégia elevou a pressão sem garantir retorno prático nas contratações.
Dentro de campo, o planejamento também mostrou fragilidade. A decisão de iniciar o Campeonato Carioca com o time sub-20 durou pouco diante dos maus resultados. A mudança de rota, determinada pela diretoria, gerou desconforto no elenco e evidenciou a sobreposição de decisões institucionais sobre o planejamento técnico.
A preparação física se tornou outro ponto crítico. Mesmo com um período maior de férias, o elenco retornou abaixo do ideal e ainda não conseguiu atingir o melhor nível. Em jogos recentes, o time demonstrou desgaste evidente, frustrando a expectativa da comissão técnica de chegar competitivo nas primeiras decisões da temporada.
No mercado de transferências, o Flamengo não conseguiu suprir todas as carências. A busca por um centroavante esbarrou em negativas e falta de alternativas, deixando o setor ofensivo sem a reposição desejada — especialmente diante da oscilação de Pedro.
A limitação física impacta diretamente na montagem da equipe. Sem conseguir repetir escalações, Filipe Luís vê o time perder entrosamento, principalmente no setor ofensivo, o mais afetado pelas constantes mudanças.
Se em 2025 a defesa foi um dos pilares do sucesso, neste início de ano virou motivo de preocupação. O número elevado de erros individuais comprometeu o sistema defensivo, que já acumula gols sofridos em excesso e atuações inconsistentes.
Além disso, o Flamengo ainda busca se adaptar ao calendário de 2026. O desempenho irregular nas competições até aqui — com tropeços no Carioca, início instável no Brasileirão e derrotas em decisões — amplia o cenário de incerteza.
Para completar, a dificuldade ofensiva se tornou um dos principais sintomas da crise. O time tem produzido pouco em jogos grandes e depende de poucos nomes para balançar as redes, sem conseguir transformar volume em gols.
Diante de tantos problemas acumulados, o Flamengo entra em um momento decisivo da temporada pressionado a reagir rapidamente. A sequência de compromissos, com competições simultâneas, exigirá respostas imediatas para evitar que o ano, que começou promissor, se transforme em um fracasso precoce


