Técnico destaca dificuldades enfrentadas pela seleção masculina em ano de transição e pede tempo para evolução até Los Angeles 2028
A classificação para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 trouxe alívio e comemoração para a seleção brasileira masculina de vôlei. Depois da vitória por 3 sets a 0 sobre a Argentina, no domingo, no Maracanãzinho, Bernardinho falou sobre a pressão enfrentada pelo grupo durante uma temporada marcada por resultados abaixo do esperado.
O triunfo garantiu ao Brasil o título do Pré-Olímpico e a vaga olímpica. Durante a semana, o treinador havia optado por não conceder entrevistas, mas conversou rapidamente com o programa “Hello LA” após a conquista.
Bernardinho destacou o processo de transição vivido pela equipe e reconheceu que o ambiente ao redor da seleção foi marcado por cobranças.
“Foi um ano de muito aprendizado, de transição. Foi um ano difícil, duro, muito ruído externo. Como a gente se isola? Eu sei que é uma constante no esporte, não quero me vitimizar de forma alguma. É trabalhar.”
Pressão aumentou após resultados recentes
A cobrança sobre a seleção masculina cresceu depois de campanhas abaixo das expectativas. No Campeonato Mundial de 2025, o Brasil terminou na 17ª colocação, a pior posição de sua história na competição. Já na Liga das Nações deste ano, a equipe não conseguiu avançar à fase final pela primeira vez.
Bernardinho afirmou que o grupo precisou conviver com uma pressão considerada por ele “gigantesca” durante o processo de preparação.
“Eu passava uma semana em casa para dormir, sala de estudo o tempo inteiro, pressão. Era uma pressão gigantesca, uma geração muito contestada, ‘duvidada’. Claro que tem muito a crescer, a melhorar, Olimpíadas é outra história.”
O treinador também fez referência ao retrospecto recente diante da Argentina e à derrota brasileira no último Campeonato Sul-Americano, destacando a experiência do adversário.
“A Argentina é um time experiente. Ah, o Brasil perdeu o último sul-americano. Quantas Olimpíadas o Brasil perdeu para a Argentina? Gente que fala estava lá e perdeu.”
Bernardinho pede evolução e paciência
Depois de ser chamado pelos próprios jogadores para fazer dez flexões junto com o grupo em quadra, Bernardinho voltou ao microfone e reforçou que a conquista da vaga deve ser encarada como uma etapa do processo.
“É momento de comemorar, mas olhar pra frente e dizer: ‘Temos muito a fazer’. O voleibol masculino brasileiro precisa trabalhar muito. E está trabalhando aos poucos.”
O técnico citou ainda o desempenho das categorias de base e ressaltou a necessidade de continuidade no trabalho para formar a próxima geração.
“Foi bem no sub-17, no sub-18, mas precisa de tempo, paciência e pressão também.”
Com a vaga assegurada, o Brasil terá agora como objetivo desenvolver a equipe até Los Angeles 2028, em um ciclo olímpico que será marcado pela renovação do elenco e pela busca por maior consistência nos resultados.


