Convocado por Ancelotti para 2026, camisa 10 entra em seleto grupo de gigantes da Seleção e ganha derradeira chance de conquistar o título que falta em sua trajetória
A convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026 não representa apenas a permanência do principal nome brasileiro da última década no maior palco do futebol. Ela coloca o camisa 10 em um patamar reservado a pouquíssimos ícones da história da Seleção.
Com presença confirmada no Mundial, o craque disputará sua quarta Copa do Mundo — repetindo uma marca alcançada apenas por Castilho, Djalma Santos, Nilton Santos, Pelé, Emerson Leão, Cafu, Ronaldo e Thiago Silva.
É uma lista que transcende números e posiciona Neymar entre os nomes mais longevos e relevantes da camisa amarela.
Recorde consagra longevidade, mas também amplia cobrança
Se por um lado a quarta convocação reforça sua dimensão histórica, por outro também intensifica o peso sobre sua carreira na Seleção.
Entre os brasileiros com quatro Copas, apenas Neymar e Thiago Silva ainda não levantaram a taça. No caso do camisa 10, isso transforma 2026 em um ponto decisivo: a possibilidade real de encerrar sua jornada com a única conquista que ainda falta para completar seu legado.
Maior artilheiro da história da Seleção, com números expressivos e protagonismo técnico por mais de uma década, Neymar segue associado a uma ausência que molda qualquer análise sobre sua passagem pelo Brasil: o hexa.
2014: brilho interrompido e trauma nacional
No Mundial em casa, Neymar viveu sua campanha mais impactante. Decisivo na fase de grupos, protagonista absoluto e símbolo de esperança nacional, o atacante parecia pronto para conduzir o Brasil.
Mas a joelhada de Zúñiga, nas quartas contra a Colômbia, interrompeu sua trajetória e alterou o destino daquela Copa. Fora da semifinal, assistiu de longe ao traumático 7 a 1 diante da Alemanha — o capítulo mais doloroso da história recente da Seleção.
2018: protagonismo, evolução e queda diante da Bélgica
Na Rússia, Neymar chegou cercado por dúvidas físicas, mas conseguiu recuperar protagonismo ao longo da competição. Marcou, deu assistência, liderou ofensivamente e foi decisivo até as oitavas.
Nas quartas, porém, o Brasil esbarrou na geração belga e caiu por 2 a 1. A eliminação consolidou mais uma frustração e reforçou a sensação de oportunidade perdida.
2022: drama físico, retorno heroico e nova ferida
No Catar, a trajetória foi ainda mais dolorosa emocionalmente. Uma lesão no tornozelo reduziu sua participação, mas Neymar voltou nas quartas e marcou um golaço contra a Croácia na prorrogação, colocando o Brasil perto da semifinal.
A classificação escapou nos minutos finais, e a eliminação nos pênaltis se transformou em uma das imagens mais simbólicas de sua carreira: o craque novamente parando diante do sonho mundial.
A última grande oportunidade
Agora, sob comando de Carlo Ancelotti, Neymar chega a 2026 cercado por um contexto diferente. Mais experiente, mais questionado fisicamente, mas ainda central no imaginário do futebol brasileiro.
Seus 12 jogos em Copas, oito gols e três assistências confirmam impacto. Mas o que definirá sua posição definitiva entre os maiores não será apenas estatística — será a capacidade de transformar sua quarta Copa na conquista que escapou por três vezes.
Entre lenda e redenção
Neymar já garantiu seu lugar entre os gigantes pela longevidade, pelos recordes e pelo protagonismo.
Mas a Copa de 2026 oferece algo maior: a chance de deixar de ser apenas histórico para se tornar completo.
Ao igualar lendas brasileiras, o camisa 10 entra definitivamente para a eternidade estatística. Agora, busca o que pode colocá-lo em uma dimensão ainda mais rara: a eternidade simbólica.


